Alguns cursos de idiomas apregoam que ensinam inglês em 3 meses, outros em 18, e estão ganhando mercado porque desde sempre os seres humanos gostam de soluções rápidas e fáceis. Infelizmente nem todas as soluções rápidas e fáceis são também eficazes. O que vai determinar se um curso é realmente o que você procura é a relação entre conteúdo + carga horária e não necessariamente o tempo que você vai gastar até completar seu curso. Dependendo da carga horária e do conteúdo é que se determina se um curso “rápido” é realmente uma boa idéia ou apenas uma forma de ganhar dinheiro (para o dono da escola, não para você).
Trabalho no CCAA há 12 anos e sempre sou questionada sobre as razões de o curso ser tão longo e o material ser tão caro. Perguntam-me o porquê de um curso que se estende por 4 anos, mas eu tenho que corrigir: o curso não tem 4 anos, é formado por módulos: básico, intermediário e avançado (cada um com 18 meses) + o curso de aperfeiçoamento de 2 anos. Mas se você quiser ainda mais, há ainda + 1 ano para aperferçoar-se para ser professor (teacher’s course). Ou seja, se você for fazer o curso inteiro, são 6 anos e meio.
Mas para quê tudo isso? – você deve estar se perguntando. Bem, como se sabe o idioma inglês é bem diferente do nosso e aprender de qualquer jeito não é aprender, por isso desde o primeiro dia você já fala inglês. Acusações de que no CCAA não se aprende gramática não são verdadeiras, e quem estuda ou estudou lá sabe disso, porque valorizamos não só a linguagem oral, o aluno aprende também a entender o inglês como é falado em vários países, a escrever corretamente em inglês e também a ler e interpretar corretamente. E tudo isso porque acreditamos que uma cadeira não fica em pé com apenas uma perna, por isso temos que desenvolver igualmente as 4 habilidades: ouvir, falar, ler e escrever. Se você fala e entende inglês mas não sabe interpretar um texto e não escreve bem, me desculpe mas você conseguiu apenas ser analfabeto em inglês, e ninguém quer continuar analfabeto para sempre, não é?
O método que usamos é o natural, você aprende da mesma forma que aprendeu o português: primeiro ouve e entende, imita a pronúncia e fala, depois lê e por último aprende a gramática para escrever em seguida e fixar o que aprendeu. Durante a fase de explicação (onde você fala e ouve) você também participa e pratica oralmente, usando o que aprendeu inserido em sua realidade.
Os livros têm entre 300 e 900 palavras novas (para aprender em 38 aulas de 1:15, durante um semestre), dependendo do nível. Essas palavras são cuidadosamente analisadas antes de entrarem em cada livro, para determinar-se sua relevância e importância, inseridas em contexto útil para o aluno: não adianta decorar uma lista de 300 verbos no passado se nem os americanos usam nem 50% deles, não é mesmo? Todo esse material depois de cuidadosamente escolhido é gravado em um estúdio com atores nativos, passado para DVD para a sala de aula, em CD-ROM para o aluno, e depois impresso em livros que são cuidadosamente elaborados, com material de primeira, colorido e bem estruturados, pois não trabalhamos com apostilas xerocadas nem com vocabulário escolhido “by chance”.
Naturalmente que se você pretende passar um ano nos EUA e quer aprender inglês pra se virar, o curso básico será suficiente para você, ao final você terá um vocabulário de mais de 1.000 palavras usadas em situações comuns ao jovem ou adulto em seu cotidiano, como tomar um táxi, registrar-se em um hotel, atender ao telefone ou contar o que pretende fazer amanhã. Terá também fluência em tudo o que aprendeu e estará capacitado a aprender muito mais por conta própria quando estiver lá, pois será capaz de se comunicar perfeitamente e sem aquele sotaque horroroso que se vê por aí.
Se você quer entender as músicas e até dar umas aulas para quem está com problemas na escola, entender o que há na internet em inglês, você pode chegar até o final do curso intermediário, e terá aí um vocabulário de mais ou menos 3.500 palavras e expressões, o suficiente para sair-se bem em qualquer vestibular, assistir palestras e ser aprovado em qualquer entrevista de emprego.
Se você leva inglês a sério e quer mesmo ficar “fera”, o ideal para você é terminar o curso avançado, e então terá visto toda a gramática do inglês e terá um vocabulário de umas 5.000 palavras, poderá aposentar de vez as legendas dos filmes e bater o maior papo com americanos, ingleses, etc. Vai inclusive conhecer gírias, expressões idiomáticas e pode ter certeza de que saberá muito mais do que muita gente que “diz que sabe” inglês.
Agora se o que você quer mesmo é falar e escrever como um nativo, termine o curso de aperfeiçoamento, se você for um bom aluno poderá dar aulas no CCAA, passar no TOEFL e inclusive capacitar-se para prestar o exame da Universidade de Miami, associada ao CCAA. Isso não é pouco, não acha? Você saberá até o “black English” americano, que nem os brancos americanos entendem direito.
Se você tem pressa, pode fazer tudo isso num curso VIP, dividindo a carga horária da forma que for melhor para você e com prazo menor ou maior dependendo de suas necessidades, porque o que importa é a carga horária, se você fizer 5 horas por semana vai terminar na metade do tempo. E se você não tem tempo de ir à escola, pode fazer o curso à distância, comparecendo à escola só para tirar suas dúvidas e entregar suas atividades para o professor uma vez por mês.
Até o CCAA pode te oferecer um curso de 18 meses em que você aprenda tudo mas terá que estudar muito e com uma carga horária bem pesada. Agora se for para fazer um curso que promete maravilhas, procure antes saber qual o conteúdo, a carga horária, quem são os professores, que material usam e como ele foi elaborado. Fazendo as contas você vai logo perceber que pode estar sendo enganado.
Eu posso dizer a você agora que dou um curso de inglês de um dia, e você sai falando inglês ou espanhol, e não estarei mentindo. Você aprende cerca de 30 palavras e nunca mais esquece. Você já sai falando desde a primeira aula no CCAA, e se não voltar nunca mais, terá tido um curso de um dia e aprendeu inglês – e saiu falando.
Como tudo na vida, a prática leva à perfeição e em idiomas isso é mais verdade ainda. Já viu alguém que ficou muito tempo fora do país e esqueceu o português? Eu já vi, e isso aconteceu porque ficou muito tempo sem praticar. Então a chave para aprender de verdade é a prática, e isso leva tempo, não adianta eu ensinar 1.000 palavras em uma semana, porque não haverá tempo hábil para praticar, então será como jogar uma pedra na água: vai fazer um buraco e umas ondas em volta mas assim que ela afundar voltará tudo ao que era antes.
Então ao contratar um curso de idiomas, não procure fórmulas mágicas nem soluções milagrosas. Valorize seu tempo e seu dinheiro e procure um curso sério. Pode até parecer que estou fazendo “propaganda” do CCAA mas não estou, não. Estudo inglês desde os 15 anos (e se digo “estudo” é porque estou sempre pesquisando como professora, e pesquisar é uma forma de estudar) e só trabalho ainda no CCAA (mesmo depois de aposentada) porque realmente acredito no que faço, se não acreditasse estaria em casa fazendo tricô.
Leia também: Aprenda inglês em 3 meses











Faço inglês há alguns anos no CCAA, fiz o MEC (Mastering English Course) 2 nesse último semestre, e achei estranho você falar que o curso todo, COM o Teacher’s Course, fica em 6 anos e meio… Se for o que eu fiz (3 módulos do GS, 3 do OM, 3 do TT e mais 4 do MEC), os 6 anos e meio são só até o MEC…
E já que você dá aula no CCAA, tenho uma dúvida: é necessário ou aconselhável que eu termine o curso antes de fazer o TOEFL? Ou seja, que eu faça até o MEC4? Ou eu posso fazer já essa prova? Se possível, me responda também por email: gabimerlin@gmail.com
Ah, e adorei o blog! Muito útil e Interessante!! =)
Olá Gabriela,
O curso de inglês é de 6 anos e meio até o MEC4, mas se o aluno também quiser ser professor pode optar por fazer o Teacher’s Course depois que terminar o MEC.
Estamos indicando aos alunos que façam o TOEFL a partir do MEC1 para acompanhar o desenvolvimento deles em todas as áreas do inglês.