Lula investe na profissionalização dos estudantes

(Notícia extraída do JB Online)

Para tentar diminuir o desemprego juvenil e aumentar a oferta de vagas no ensino médio profissionalizante, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em 28/12/2008, em Brasília, a Lei nº 177/2008, que cria 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifets). Eles serão criados aproveitando a estrutura da Rede Federal de Educação formada pelos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), escolas agrotécnicas federais e oito escolas técnicas vinculadas a universidades. Os Ifets vão oferecer metade das vagas ao ensino médio profissional. Na educação superior, 30% das vagas serão destinadas para cursos de engenharia e bacharelados tecnológicos, enquanto os outros 20% serão reservados para licenciaturas em ciências da natureza.

A cota de 20% para licenciaturas em física, química, matemática e biologia foi criada para atender uma carência de professores nessas áreas. Atualmente, o país conta com dez mil professores de física e a demanda é de 56 mil. Nas áreas de biologia e química os problemas também são graves. Na primeira disciplina, são quase 40 mil professores para uma demanda de quase 60 mil. Na segunda, os números são piores. O Brasil tem menos de 10 mil professores para uma demanda estipulada em quase 60 mil.

Proposta diferenciada

Alguns estados receberão mais de um instituto. É o caso do Rio de Janeiro, Goiás, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina, que serão contemplados com dois. O Rio Grande do Sul será beneficiado com três, enquanto Minas Gerais terá cinco. Os Ifets nascem com 168 campi e a expectativa é que cheguem a 2010 com 311. Nesse mesmo período, as vagas passarão de 215 mil para 500 mil.

O secretário de Educação Tecnológica do Ministério da Educação, Eliezer Pacheco, acredita que com a criação dos institutos a educação profissional entrará em uma nova era:

– É uma proposta diferenciada, que não tem similar em nenhum outro país do mundo. O modelo pedagógico é inteiramente novo e os institutos podem oferecer desde o ensino médio até o doutorado.

Segundo o secretário, os Ifets serão adaptados às realidades regionais, além de possibilitarem a verticalização do ensino, uma vez que os professores poderão atuar em diferentes níveis e os laboratórios serão compartilhados entre alunos, independentemente dos níveis de ensino. Outra vantagem, ainda segundo o secretário, será fazer com que os institutos funcionem como observatórios de políticas públicas, como objeto de pesquisa.

– As universidades já investem na pesquisa – explica Pacheco. – Mas nos Ifets isso será uma pesquisa aplicada, com vista ao desenvolvimento tecnológico.

Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a criação dos Ifets, assim como qualquer expansão da rede pública, é positiva, mas não exclui do Estado a obrigação de investir na qualidade da educação básica e no ensino médio regular.

– A solução é importante. – afirma Daniel. – Mas não vai resolver o problema. Estão martelando que será a salvação da pátria, mas a escola regular deve ser boa e o Estado precisa pensar em outras alternativas de empregabilidade juvenil.

De acordo com Daniel, a rede federal de escolas técnicas no Brasil e as redes estaduais do Rio de Janeiro e São Paulo são de excelente qualidade e, geralmente, preparam o aluno não apenas para o mercado de trabalho, mas para o ingresso nas melhores universidades públicas do Brasil.

O problema dessa rede está na escassez de vagas. Para serem aceitos, os estudantes devem passar, muitas vezes, por um exame de seleção bem mais rigoroso que os vestibulares tradicionais.

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