Meu professor me persegue

Essa afimação já foi ouvida milhares de vezes e normalmente nem é levada em consideração ou em outros casos é levada até às últimas consequências pelos pais do aluno que faz a queixa.

Naturalmente que sendo o professor um ser humano, está sujeito a todas as emoções humanas como simpatia, antipatia, amizade, raiva, etc. E mais naturalmente ainda deve aprender a separar essas emoções na medida do possível para ter uma visão objetiva de seus alunos e ser o mais justo que consiga.

É claro que em todas as áreas existem bons e maus profissionais e o ensino não é excessão, portanto pode realmente acontecer de um professor “pegar birra” de um aluno e perder a objetividade necessária para julgá-lo apenas em seu comportamento enquanto aluno.

Várias emoções interferem no relacionamento professor / aluno mas há maus profissionais que tomam atitudes parciais e com isso acabam denegrindo a imagem do professor de modo geral e não apenas de si mesmo.

Um ex-presidente disse uma vez uma frase que considerei chocante: “quando a pessoa não consegue êxito em sua área, vai ser professor”. Apesar de ser uma frase altamente discriminatória quanto à figura do professor, já que não me vejo assim e nem aos meus colegas – trabalhamos por ideais – não deixa de ter entretanto um fundo de verdade.

Alguns profissionais usam o cargo de professor apenas como “bico” mas como estão insatisfeitos com a profissão, acabam descontando suas frustrações pessoais nos alunos, preferencialmente naqueles que por algum motivo despertam sua antipatia.

Eu entendo perfeitamente a situação porque já passei por isso como aluna, uma de minhas primeiras professoras me atribuía coisas que eu não fazia e intenções que nem me passavam pela cabeça. Esse quadro pode ser grave, uma vez que um mau mecânico pode causar danos mas livrar-se dele é bem fácil e os danos serão apenas materiais na maioria dos casos.

O professor, entretanto, além de ser um modelo e um formador de opinião, interage com o aluno e tem sobre ele um “poder” emocional muito grande, atuando durante várias horas por dia sobre ele e junto ao seu grupo, portanto os danos causados por um mau professor podem ser muito graves e estender-se pela vida toda, causando traumas emocionais profundos ou distúrbios graves de educação ou comportamento.

Se você acha que seu professor o persegue, primeiramente faça um exame de consciência para ver até que ponto você mesmo não é o gerador de situações de conflito, pois como diz o velho ditado: “macaco que muito pula é o primeiro a levar chumbo”. Se você tem um comportamento inadequado em sala de aula pode tornar-se o alvo do professor, pois é óbvio que ele vai sempre chamar a atenção de quem está errado e não de quem está agindo de acordo com os padrões estabelecidos.

Como segundo passo aconselho uma conversa franca com o professor, onde você exponha claramente sua visão do problema, mas não de forma agressiva e sim de maneira a resolver o caso e não a agravá-lo. Se o resultado não for bom, aconselho uma mudança de classe e se não for possível a direção da escola deve ser comunicada. Em casos extremos em que o aluno não consegue mesmo um bom relacionamento com o professor e sente-se humilhado e perseguido, deve-se inclusive pensar numa mudança de escola.

Leia também: O professor pega no meu pé

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