Você sabe interpretar um texto?

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Teoricamente todas as pessoas alfabetizadas deveriam saber como interpretar um texto – ou entender o que leram, decifrar a mensagem principal e possíveis mensagens subliminares. Mas sabemos que não é bem assim, tanto é verdade que estudantes de todos os níveis morrem de medo da interpretação de textos.

Uma coisa que deveria ser o natural, o normal, acaba virando o excepcional. Só falta alguém exclamar, admirado: “Você sabe interpretar um texto? Como consegue fazer isso?” Como se isso fosse uma mágica ou um “dom natural” que não é concedido a todos os mortais.

Quando li pela primeira vez o romance “Dom Casmurro”, tinha lá uns 12 ou 13 anos e por não estar ainda preparada para perceber a ironia fina de Machado de Assis achei aquilo tudo muito chato e não passei do segundo capítulo.

Anos mais tarde – mesmo a contragosto – me forcei a ler a tal obra e qual não foi minha surpresa ao descobrir sentidos ocultos que antes me escaparam, que no fim tornaram a obra uma de minhas leituras favoritas!

Não estamos preparados para ler tudo e a qualquer momento. Em cada fase de nossa vida teremos uma opinião diversa sobre o que lemos, e por isso mesmo classificamos a interpretação como “objetiva” ou “subjetiva”.

Na interpretação objetiva temos que recontar exatamente o que foi escrito e na subjetiva a reinterpretamos segundo nossos próprios conceitos ou opiniões. E é na primeira que muitas vezes falhamos, porque é raro não deixarmos que nossas emoções interfiram e turvem o sentido do que foi realmente escrito.

Dizem que os melhores autores são aqueles que nos fazem “reescrever” suas obras, porque à medida que vamos lendo nos envolvemos com a narrativa e nos deixamos levar pelas emoções que elas nos inspiram. Separar o que “sentimos” do que “lemos” é também uma forma de interpretar.

Numa prova, por exemplo, o aluno muitas vezes cai nessa cilada, dando uma interpretação subjetiva quando precisa dar uma objetiva.

Num texto: “Maria ia à padaria às terças, quintas e sábados.” com questões:

Maria ia à padaria:

a) poucas vezes durante a semana.

b) três vezes por semana

c) muitas vezes por semana

O aluno que marca a) ou c) está expressando sua opinião, e não o que leu no texto. Na opinião desse aluno ir à padaria às terças, quintas e sábados é muito ou pouco, quando na verdade o texto dizia que Maria ia à padaria três vezes por semana: terças, quintas e sábados.

Então não desanime, se a nota em interpretação foi baixa não é porque você não sabe interpretar, é apenas porque se deixou levar e deu sua opinião, ou seja: não soube separar o que leu do que pensou sobre o que leu.

Leia também:

Ler para aprender

Material didático – interpretação de textos

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