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O prazer de ler

A preparação para interpretar textos começa já na infância

A preparação para interpretar textos começa já na infância

Aprendi a ler muito cedo e motivada pelo desejo de entender sozinha os livros de estórias infantis e gibis. Donde se conclui que fornecer livros (mesmo que só com figuras) para a criança desde cedo desenvolve nela a curiosidade e ela verá uma vantagem em saber ler e se motivará para aprender. Quando estamos fortemente motivados o aprendizado acontece de forma natural e rápida. De certa forma também eu “invejava” as pessoas que sabiam ler e dominavam aqueles “códigos” que para mim eram incompreensíveis. Essas pessoas tinham um “poder”, que as tornava auto-suficientes porque podiam ler quando queriam, não precisavam que ninguém lesse para elas. Eu, ao contrário, precisava da boa-vontade de alguém quando queria desvendar os segredos dos gibis que comprava e não era raro ter que esperar um ou até dois dias para que alguém se dispusesse a decifrá-lo para mim.

Logo que aprendi a ler comecei a ler tudo o que aparecia e logo tornei-me uma leitora rápida e voraz. Na leitura encontrei um mundo novo, povoado de sapos encantados e fadas, mas também cheio de explicações claras e úteis que me ajudavam na vida prática. Matérias escolares que vieram mais tarde, como “interpretação de textos” e “literatura”, que para os outros alunos eram um terror para mim eram uma grata novidade, pois se para os outros eram um “castigo”, para mim eram uma bênção. Estudar essas matérias para mim era como mandar uma onça sedenta beber água, e eu as estudava com muito prazer.

Naturalmente que todo aluno sabe que “terá” que ler, e quanto antes começar a fazê-lo, menos dura será sua vida escolar dali para a frente. Ler por obrigação além de pouco frutífero também transforma em castigo uma atividade que poderia facilmente tornar-se um prazer. Aprender a sentir prazer na leitura é uma das boas formas de transformar sua vida escolar – e também toda a sua vida futura, principalmente a profissional – da água para o vinho. Ela poderá ser um mar de rosas ou um mar tormentoso e difícil de transpassar, e é você quem vai escolher qual dos dois irá ser.

Leia sem precisar, leia quando puder, leia sempre que vir um livro. Imagine um livro como um mistério que só será desvendado por você se você o abrir, folhear e ler. Imagine que contém uma mensagem que foi deixada por alguém para você há muitos anos, e que convém lê-la para descobrir o que contém. Convém navegar pelas páginas do livro e imaginar tudo o que ali está exposto, e assim que você aprender a fazer isso começará a transformar obrigação em prazer, dificuldade em cultura.

Mas não adianta ler por ler, você precisa “sentir” o que está sendo descrito e imaginar o que o autor queria dizer quando escreveu aquilo. Tem que colocar-se no lugar dos personagens, tentar imaginar como você se sentiria naquela situação. Quem lê de verdade sofre com o sofrimento descrito, o coração dispara quando algo ruim está para acontecer.

Livro não é como novela. Na novela você vê o que está acontecendo e sobra pouco espaço para sua imaginação. Também não é como filme, no filme você fica apavorado com o monstro horrível, mas só quando o diretor consegue retratar um monstro horrível capaz de assustar você. No livro é diferente, quem manda é a sua imaginação e quando o autor descreve um “monstro horrível” sua mente desenha um monstro realmente horroroso, que nenhum diretor de cinema poderia criar. E então você fica com medo de verdade. Quando o autor descreve uma heroína linda, o que você vê em sua imaginação é uma heroína lindíssima, como talvez a heroína da novela por mais linda que seja não consiga ser.

Quem realmente gosta de ler e vai ver um filme baseado em um livro que já leu diz sempre a mesma coisa: o livro é muito melhor. E o livro é melhor porque contém o que falta no filme: a sua imaginação. No filme o diretor tenta recriar o que “ele” imaginou ao ler o livro, mas talvez o que você mesmo imagina vá fazer mais efeito para você do que a representação da imaginação de outra pessoa. O que você vê num filme é uma “releitura” do livro, ou seja, você está vendo o que outra pessoa imaginou e sentiu ao ler o livro, logo o impacto causado pela história já está defasado. E como quem conta um conto aumenta um ponto você nunca terá a exata impressão que teria ao ler.

Se você leu até aqui já é um bom sinal, agora vamos nos despedir, você pega um livro ou revista e já pode começar a por em prática o que leu aqui.

Boa leitura!

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Leia também: A importância da leitura

Você se esforça para aprender?

Você se esforça para aprender?

Você já se fez essa pergunta? Já reparou que tudo o que temos dificuldade de aprender, tem gente que sabe de cor e salteado e aprende com a maior facilidade? Seria fácil acreditar que eles têm alguma coisa a mais, especial – super-poderes, inteligência bem acima do normal, paranormalidade, mediunidade, macumba – porque assim a falha não seria sua. Se você optou por acreditar nisso, tudo bem, os outros todos que aprenderam têm então alguma dessas qualidades supranormais, então tchau, até qualquer dia, pode parar de ler por aqui porque não vai adiantar nada mesmo, não é?

Mas se você acredita (como eu também sempre acreditei) que as pessoas têm as mesmas características (cérebro, memória, força de vontade, capacidade de aprender, etc.) e que se você não aprende é porque está falhando em algum lugar ou que sempre se pode melhorar o que não está tão bom quanto deveria, então podemos continuar a conversar.

Por quê você quer aprender?

Antes de mais nada é preciso saber porque você resolveu aprender isso que está aprendendo, e aí a sinceridade é fundamental. Não que eu ache que você irá mentir, mas muitas vezes mentimos para nós mesmos, arranjamos motivos falsos para justificar nossos ideais e depois quando desistimos deles inventamos desculpas. Dizemos que queremos aprender a dançar balé porque é uma arte milenar, porque é uma dança clássica e refinada e blá-blá-blá, mas tudo o que queremos quando nos matriculamos no curso é ter o corpo da dançarina principal, ou então sermos levantadas por aquele dançarino ma-ra-vi-lho-soooooo de olhos verdes.

Quando nos dispomos a aprender um idioma, dizemos que é para o futuro, para ter um lugar ao sol, mas queremos mesmo é entender aquele rock pauleira da banda americana do momento. Até aí tudo bem, uma mentirinha branca não faz mal, não é?

Engano seu, porque quando descobrimos que nossa estrutura óssea jamais nos permitirá ter o corpitcho sonhado, ou que para entender aquilo que a banda canta levaremos no mínimo 3 anos, ou então que a banda só guincha e não canta nada, então pra que aprender inglês… aí inventamos uma desculpa e caímos fora.

MOTIVAÇÃO

Sem uma motivação clara e consciente fica difícil atingir nossos objetivos, seria mais fácil analisar bem e dizer logo o que pretendemos, assim ninguém fica frustrado nem insatisfeito. A professora de balé poderia ter-lhe recomendado a academia que a bailarina frequenta, ou ainda em vez de balé você poderia estudar outra coisa que ensinasse como tirar partido do corpo que tem, ou seu professor poderia indicar um site onde você iria entender as músicas em bem menos tempo… sendo sincero em seus objetivos você pode obter ajuda para conseguir o que quer, sem ter que desistir, inventar um monte de desculpas esfarrapadas e ficar frustrado depois.

A CONSTRUÇÃO

Digamos que para aprender você precisa construir seu aprendizado, como se faz com uma casa. O professor vai lhe fornecer o material e as orientações para chegar o mais próximo do seu sonho (e é aí que entra a sua honestidade na hora de definir claramente para ele porque iniciou esse curso). A cargo do professor fica prover os tijolos (o material didático) e a massa (as aulas) para que você construa sua casa (seu aprendizado). Mas ele não vai construir sua casa, quem vai fazer isso é você. Como a prática leva à perfeição, quanto mais você praticar, melhor vai construir e mais bonita e próxima do que você sonhou ficará sua casa.

Se você deixa as lições de casa para depois, a “massa” que o professor forneceu vai estar dura e difícil de usar, ou ainda muita coisa poderá ter-se perdido (“roubada por sua memória) e sua construção ficará cada vez mais difícil.

Se você não tentar construir um pouquinho por dia, deixar para fazer tudo na véspera da prova, acho que nem preciso dizer como ficará sua casa. Nem vai dar tempo de secar, ao primeiro toque ela vai desmoronar.

ENVOLVIMENTO OU COMPROMETIMENTO?

Qual a diferença, me perguntará você. Vamos ver se você descobre:

O porco e a galinha ficaram sócios e criaram um restaurante para servir café da manhã ao estilo americano, sabe como é: ovos com bacon. Sempre que acabavam os ovos, a galinha ia até lá e botava alguns, mas quando acabava o bacon o porco ia até lá e tinha que cortar uma tira de seu próprio couro.

Qual dos dois estava envolvido com o negócio e qual estava comprometido?

Envolvido com seu aprendizado você frequenta as aulas, até faz suas atividades, mas sempre espera que os outros façam a maior parte por você. Assim que sai da escola, tem uma vida para viver, coisas mais importantes para pensar.

Comprometido com o aprendizado, você não mede esforços para aprender e entende que para conseguir o que quer, muitas vezes terá que abrir mão de algumas coisas, mesmo que doa. Entende que terá que dedicar algumas horas por semana ao que pretende aprender e que deixar de fazer algumas coisas que costumava fazer antes pode doer mas não vai matar, e que o objetivo final é que irá compensar, mais do que tudo aquele de que se viu privado durante o processo.

E então? Agora ficou mais fácil responder quem estava envolvido e quem estava comprometido?

E quanto a você? Está envolvido ou comprometido com seu aprendizado? Ou é daqueles que não estão nem aí, que ficam esperando o aprendizado cair do céu, ou então que entre por uma orelha e não saia pela outra? Muito bacana essa atitude acomodada e passiva, só que infelizmente não funciona. Enquanto você não assumir a responsabilidade por seu aprendizado, não haverá cristo nesse mundo que faça isso por você.

Como é que se aprende a nadar? Nadando. Pois é, acho que você mesmo acharia estranho ver um instrutor de natação dando aula e os alunos fora da piscina numa boa, e ele nadando pra eles aprenderem. Mas quando vão para um curso onde precisam estudar e praticar para aprender, é exatamente o que esperam. Ficar ouvindo sentados, depois irem sossegados para suas casas e não pensarem mais no assunto até a próxima aula.

Acorde, professor não é Mandrake, não sabe palavra mágica nem faz ninguém aprender com poção e bruxaria. E agora? Entendeu porque os outros aprendem e você não?

Leia também: Como aprender com menos esforço

Verdinha

Se você quer mesmo aprender, tem que praticar. Faça exercícios, leia sobre a gramática, veja filmes e vídeos, ouça música. Esteja o mais possível em contato com o idioma, não fuja de sites que têm o inglês como idioma principal, não fuja de oportunidades de usar o que aprendeu. Só assim você irá conseguir um desempenho cada vez melhor e irá aprender sempre mais.

Estou anexando uma apostila, faça download, imprima, estude e resolva os exercícios. Se você é professor, use com seus alunos se achar útil e válido. Querendo mais, entre em contato.  Clique no link abaixo para baixar:

BE GOING TO

Se você é professor, visite o blog destinado a professores – Questão de Classe. Se precisa de novos textos para interpretar, criei 3 grupos do Google para professores trocarem suas atividades em interpretação de textos. Caso queira participar, visite os links abaixo e peça sua inscrição:

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS (para professores de PORTUGUÊS)

READING COMPREHENSION TEXTS (para professores de INGLÊS)

INTERPRETACIÓN DE TEXTOS ESPAÑOL (para professores de ESPANHOL)

Os grupos estão ainda no início e com pouco material, mas tenho certeza de que em breve estaremos colhendo os frutos que plantarmos hoje. Todos os colegas serão bem-vindos.

Importante: Antes de pedir para participar, leia as regras do grupo para ver se concorda.

Verdinha

Eu queria prestar o exame para o conseguir o DELE (Diploma de Espanhol como Língua Estrangeira) mas sabia que teria um grande desafio pela frente. Mesmo sendo professora de espanhol há alguns anos eu não conhecia ninguém em minha região que tivesse conseguido o tal diploma. Quando disse à minha diretora o que pretendia, ela deu uma gargalhada e disse:

- Ainda bem que sonhar não paga imposto!

Conhecem a piadinha? Como se consegue colocar 20 espanhóis dentro de um Fusca? Simples, basta dizer que não cabem. Pois acho que devo ter algum antepassado espanhol porque naquele dia, quando saí da escola depois de minha conversa com a diretora, eu já tinha tomado a decisão de fazer o tal exame. E iria fazer a “dança da chuva”.

Você sabe porque a dança da chuva dos índios funciona? Porque o índio dança até chover. E assim eu iria fazer, iria estudar e fazer o exame, tantas vezes quantas forem necessárias. Mas é claro que eu não ia aparecer no dia do exame de paraquedista, apostando na sorte, mesmo porque acho que “sorte” não tem nada a ver com um exame importante como esse. O fator sorte pode até ajudar mas nunca definir o resultado das provas.

O exame é composto de 5 provas:

gramática, com 60 questões e 60 minutos de duração;

interpretação, com 4 textos e 60 minutos de duração;

auditiva, ouvimos uma gravação de um diálogo e depois temos alguns minutos para responder a 4 perguntas sobre ele, depois outro diálogo e assim sucessivamente;

redação, dois temas para escolher e escrever uma carta e uma redação, ambas com 150 palavras;

oral, uma entrevista de alguns minutos com um nativo e 10 minutos para escolha do tema e preparação.

As provas acontecem em 2 dias consecutivos e são muito difíceis e também o preço da inscrição é bem salgado, de forma que eu não iria desperdiçar tempo e dinheiro, tinha que arrumar um bom método de estudos.

Optei pelo método de choque, ia fazer primeiro a prova para o Diploma Intermediário, e depois que o tivesse conseguido iria me preparar para o Diploma de nível superior. Estabeleci para mim mesma que a partir daquele dia iria passar uma hora por dia estudando espanhol. Essa hora diária de estudos seria sagrada, se na hora de dormir eu ainda não tivesse estudado, começaria a estudar imediatamente e dormiria uma hora mais tarde.

Dois anos se passaram e durante esses dois anos eu estudei uma hora por dia. No começo eu ia deixando para o final do dia e acabava tendo que estudar no final da noite, muitas vezes dormindo em cima dos livros. Comprei livros de gramática, dicionários, livros com textos, romances, jornais, revistas, vídeos e CDs em espanhol. Depois de algum tempo eu já tinha me acostumado, levantava uma hora mais cedo para estudar, assim ficava livre.

Muitas vezes estavam todos se arrumando para sair e eu lá, de cara enfiada nos livros. Os amigos diziam:

- Deixa de ser boba, larga esses livros pra lá, um dia não vai fazer falta, você é inteligente, vamos ao baile.

Inteligente, boba, mas acima de tudo muito teimosa. Nada me fazia desistir de minha hora diária de estudos. Acho que escrevi vários livros nesses dois anos, porque fazia resumos que re-estudava mais adiante. Fazia anotações que lia dentro do ônibus, indo para a escola. A diretora às vezes perguntava, com certo sarcasmo na voz:

- E como vão os estudos?

- Vão indo – eu respondia, lacônica.

Ao final de 2 anos eu já me sentia preparada para o exame, foram 2 dias de cansaço, tensão e muitas esperanças. Depois veio a espera, teria que acertar pelo menos 70% de cada prova para conseguir o diploma!

Os meses se passaram até que recebi a carta do Instituto me avisando que eu passara e que tirara quase 90 de média! Fui buscar meu diploma e estudei mais um ano, para tentar o diploma Superior. Durante um ano procurei mais material, estudei tudo de novo, agora já com uma visão mais concreta e realista de como era a prova.

No dia das provas tive uma surpresa porque a prova de nível Superior era muito mais difícil e extensa que a outra que eu fizera e também havia exercícios a mais, mas o tempo continuava sendo de uma hora. Com muito custo consegui terminar todas as provas em cima do horário mas não tinha grandes esperanças.

Ao final de alguns meses, veio o resultado: eu conseguira o diploma Superior, o tão sonhado DELE, com média 77 e logo na primeira vez! Comemoramos muito e foi com muito prazer que dei a notícia à minha diretora. A surpresa dela foi um prazer extra, depois de 3 anos estudando uma hora por dia.

Hoje já aprovei o método, quando preciso fazer alguma prova importante volto a ele: uma hora por dia de estudos extensos e intensivos. Com organização e persistência não há nada que não se consiga aprender ou alcançar nesse mundo!

Leia também: Como passar em provas e concursos

Verdinha

O grupo nasceu semana passada, ainda está engatinhando mas será um espaço para trocarmos experiências e também nossos trabalhos relacionados a interpretação de textos. Percebo que no Brasil os alunos têm uma grande dificuldade em interpretar um texto em inglês ou espanhol pelo motivo óbvio e claro que não conseguem interpretar bem mesmo quando está escrito em velho e bom português.

O grupo deverá ser de grande ajuda para todos os professores que participarem porque em breve teremos um bom acervo de textos já com questões, tornando o trabalho de todos mais fácil. Eu não trabalho especificamente nessa área, sou professora de inglês e espanhol mas considero importante primeiro conhecer o próprio idioma para depois aprender um segundo ou terceiro.

As dificuldades que temos no nosso próprio idioma costumam ser transferidas e amplificadas quando aprendemos outra língua, de forma que se o aluno tem problemas com o português, terá um aprendizado deficiente em outra língua que escolha aprender. Vencer as dificuldades em sua origem equivale a cortar o mal pela raíz, e é por isso que criei esse grupo, que já tem um blog de apoio, o blog Interpretação de Textos.

Conto com a participação de todos os leitores para que em breve já sejamos muitos e com muito material para dividir e usar em sala de aula.

Acesse o blog: Interpretação de Textos

Acesse o grupo: Grupo Interpretação de Textos

Leia também: Problemas para interpretar textos

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Lição de casa

Uma vez ouvi um especialista dizer que não existe mau motorista, o que existe é motorista inexperiente. Donde se conclui o óbvio: a prática leva à perfeição. A lição de casa foi instituída como uma forma de o aluno praticar em casa o que aprendeu em classe. É uma forma de descobrir se realmente aprendeu ou se apenas “entrou por um ouvido e saiu pelo outro” e também uma maneira de detectar possíveis problemas ou falhas a tempo de corrigí-los antes da próxima prova.

Fazendo a lição de casa o aluno tem a oportunidade de praticar o que aprendeu em classe, e assim fixar a matéria. Quando você faz sua lição assim que chega em casa, ainda está com tudo fresco na memória e seu cérebro irá guardar tudo, não havendo necessidade de estudar tudo de novo para a prova.

Portanto jamais deixe de fazer sua lição de casa, ela é muito importante no seu aprendizado e também é um excelente diagnóstico de problemas que você possa apresentar e que poderão ser corrigidos tão logo ocorram, e não mais tarde com aulas de recuperação.

Você aprende e nunca mais esquece.

Você aprende e nunca mais esquece.

Alguns cursos de idiomas apregoam que ensinam inglês em 3 meses, outros em 18, e estão ganhando mercado porque desde sempre os seres humanos gostam de soluções rápidas e fáceis. Infelizmente nem todas as soluções rápidas e fáceis são também eficazes. O que vai determinar se um curso é realmente o que você procura é a relação entre conteúdo + carga horária e não necessariamente o tempo que você vai gastar até completar seu curso. Dependendo da carga horária e do conteúdo é que se determina se um curso “rápido” é realmente uma boa idéia ou apenas uma forma de ganhar dinheiro (para o dono da escola, não para você).

Trabalho no CCAA há 12 anos e sempre sou questionada sobre as razões de o curso ser tão longo e o material ser tão caro. Perguntam-me o porquê de um curso que se estende por 4 anos, mas eu tenho que corrigir: o curso não tem 4 anos, é formado por módulos: básico, intermediário e avançado (cada um com 18 meses) + o curso de aperfeiçoamento de 2 anos. Mas se você quiser ainda mais, há ainda + 1 ano para aperferçoar-se para ser professor (teacher’s course). Ou seja, se você for fazer o curso inteiro, são 6 anos e meio.

Mas para quê tudo isso? – você deve estar se perguntando. Bem, como se sabe o idioma inglês é bem diferente do nosso e aprender de qualquer jeito não é aprender, por isso desde o primeiro dia você já fala inglês. Acusações de que no CCAA não se aprende gramática não são verdadeiras, e quem estuda ou estudou lá sabe disso, porque valorizamos não só a linguagem oral, o aluno aprende também a entender o inglês como é falado em vários países, a escrever corretamente em inglês e também a ler e interpretar corretamente. E tudo isso porque acreditamos que uma cadeira não fica em pé com apenas uma perna, por isso temos que desenvolver igualmente as 4 habilidades: ouvir, falar, ler e escrever. Se você fala e entende inglês mas não sabe interpretar um texto e não escreve bem, me desculpe mas você conseguiu apenas ser analfabeto em inglês, e ninguém quer continuar analfabeto para sempre, não é?

O método que usamos é o natural, você aprende da mesma forma que aprendeu o português: primeiro ouve e entende, imita a pronúncia e fala, depois lê e por último aprende a gramática para escrever em seguida e fixar o que aprendeu. Durante a fase de explicação (onde você fala e ouve) você também participa e pratica oralmente, usando o que aprendeu inserido em sua realidade.

Os livros têm entre 300 e 900 palavras novas (para aprender em 38 aulas de 1:15, durante um semestre), dependendo do nível. Essas palavras são cuidadosamente analisadas antes de entrarem em cada livro, para determinar-se sua relevância e importância, inseridas em contexto útil para o aluno: não adianta decorar uma lista de 300 verbos no passado se nem os americanos usam nem 50% deles, não é mesmo? Todo esse material depois de cuidadosamente escolhido é gravado em um estúdio com atores nativos, passado para DVD para a sala de aula, em CD-ROM para o aluno,  e depois impresso em livros que são cuidadosamente elaborados, com material de primeira, colorido e bem estruturados, pois não trabalhamos com apostilas xerocadas nem com vocabulário escolhido “by chance”.

Naturalmente que se você pretende passar um ano nos EUA e quer aprender inglês pra se virar, o curso básico será suficiente para você, ao final você terá um vocabulário de mais de 1.000 palavras usadas em situações comuns ao jovem ou adulto em seu cotidiano, como tomar um táxi, registrar-se em um hotel, atender ao telefone ou contar o que pretende fazer amanhã. Terá também fluência em tudo o que aprendeu e estará capacitado a aprender muito mais por conta própria quando estiver lá, pois será capaz de se comunicar perfeitamente e sem aquele sotaque horroroso que se vê por aí.

Se você quer entender as músicas e até dar umas aulas para quem está com problemas na escola, entender o que há na internet em inglês, você pode chegar até o final do curso intermediário, e terá aí um vocabulário de mais ou menos 3.500 palavras e expressões, o suficiente para sair-se bem em qualquer vestibular, assistir palestras e ser aprovado em qualquer entrevista de emprego.

Se você leva inglês a sério e quer mesmo ficar “fera”, o ideal para você é terminar o curso avançado, e então terá visto toda a gramática do inglês e terá um vocabulário de umas 5.000 palavras, poderá aposentar de vez as legendas dos filmes e bater o maior papo com americanos, ingleses, etc. Vai inclusive conhecer gírias, expressões idiomáticas e pode ter certeza de que saberá muito mais do que muita gente que “diz que sabe” inglês.

Agora se o que você quer mesmo é falar e escrever como um nativo, termine o curso de aperfeiçoamento, se você for um bom aluno poderá dar aulas no CCAA, passar no TOEFL e inclusive capacitar-se para prestar o exame da Universidade de Miami, associada ao CCAA. Isso não é pouco, não acha? Você saberá até o “black English” americano, que nem os brancos americanos entendem direito.

Se você tem pressa, pode fazer tudo isso num curso VIP, dividindo a carga horária da forma que for melhor para você e com prazo menor ou maior dependendo de suas necessidades, porque o que importa é a carga horária, se você fizer 5 horas por semana vai terminar na metade do tempo. E se você não tem tempo de ir à escola, pode fazer o curso à distância, comparecendo à escola só para tirar suas dúvidas e entregar suas atividades para o professor uma vez por mês.

Até o CCAA pode te oferecer um curso de 18 meses em que você aprenda tudo mas terá que estudar muito e com uma carga horária bem pesada. Agora se for para fazer um curso que promete maravilhas, procure antes saber qual o conteúdo, a carga horária, quem são os professores, que material usam e como ele foi elaborado. Fazendo as contas você vai logo perceber que pode estar sendo enganado.

Eu posso dizer a você agora que dou um curso de inglês de um dia, e você sai falando inglês ou espanhol, e não estarei mentindo. Você aprende cerca de 30 palavras e nunca mais esquece. Você já sai falando desde a primeira aula no CCAA, e se não voltar nunca mais, terá tido um curso de um dia e aprendeu inglês – e saiu falando.

Como tudo na vida, a prática leva à perfeição e em idiomas isso é mais verdade ainda. Já viu alguém que ficou muito tempo fora do país e esqueceu o português? Eu já vi, e isso aconteceu porque ficou muito tempo sem praticar. Então a chave para aprender de verdade é a prática, e isso leva tempo, não adianta eu ensinar 1.000 palavras em uma semana, porque não haverá tempo hábil para praticar, então será como jogar uma pedra na água: vai fazer um buraco e umas ondas em volta mas assim que ela afundar voltará tudo ao que era antes.

Então ao contratar um curso de idiomas, não procure fórmulas mágicas nem soluções milagrosas. Valorize seu tempo e seu dinheiro e procure um curso sério. Pode até parecer que estou fazendo “propaganda” do CCAA mas não estou, não. Estudo inglês desde os 15 anos (e se digo “estudo” é porque estou sempre pesquisando como professora, e pesquisar é uma forma de estudar) e só trabalho ainda no CCAA (mesmo depois de aposentada) porque realmente acredito no que faço, se não acreditasse estaria em casa fazendo tricô.

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Leia também: Aprenda inglês em 3 meses

A preparação para interpretar textos começa já na infância

A preparação para interpretar textos começa já na infância

A leitora Rosângela tem um filho na terceira série que não consegue interpretar um texto e pede ajuda com textos para interpretar e respostas. Aqui mesmo no blog já publiquei o link de um excelente livro desse tipo, entretanto não seria o indicado para ele, já que se destina a adolescentes e adultos.

No caso de crianças tudo fica mais fácil porque há tempo e não se aprende a interpretar textos da noite para o dia. Que me perdoem os leitores que deixam comentários do tipo: “preciso de ajuda para aprender a interpretar textos porque tenho uma prova na semana que vem”, mas estão me procurando muito tarde, não há como aprender a interpretar textos em uma semana, o aprendizado é um longo processo e precisamos de tempo para nos acostumarmos a ele.

Pesquisas recentes comprovaram que mais da metade da população brasileira (o que é gente pra caramba) não consegue interpretar um texto. Ótimo, você poderá pensar, então não sou o único. Mas a pessoa que não sabe interpretar um texto não entende uma bula de remédio (nem mesmo as indicações e dosagem), precisa de ajuda para decifrar um manual de um eletrodoméstico, não consegue ler um mapa e pode ter problemas até com uma simples receita de bolo. Por mais absurdo que possa parecer, pessoas com problemas desse tipo são permanentemente dependentes da ajuda de outros para fazerem o que querem ou precisam, estão sempre pedindo informações e passando por situações vexatórias quando fazem perguntas de respostas óbvias – para quem sabe ler.

Quem não sabe ler tem tecnicamente um nome bem chato – analfabeto funcional. E quem é que quer ser taxado de analfabeto? Interpretar textos é uma necessidade não só para passar em um concurso, mas se você não consegue entender o que lê, como vai decifrar os memorandos do seu chefe ou os recados da sua secretária?

Mas voltando ao problema na infância, em primeiro lugar é necessário fazer uma avaliação com um profissional para eliminar-se problemas como dislexia, problemas de atenção e memória, disritmias e outros, que podem atingir a criança em níveis tão baixos que passam despercebidos. Crianças que têm muitos problemas na escola devem passar por um neurologista, um oftalmologista (sem enxergar direito ninguém é capaz de entender bem o que está escrito).

Também deve ser analisado o fator emocional, uma vez que ele é um fator que influencia diretamente o aprendizado, crianças com problemas emocionais não conseguem aprender, têm problemas de memória e de comportamento. Eliminando-se causas emocionais e clínicas, deve-se instalar na criança o hábito da leitura, que não acontece do dia para a noite mas deve ser cultivado como o de escovar os dentes ou dizer obrigado quando alguém lhe faz um favor.

Devemos sempre insistir, começando com livros de histórias (pode-se começar com livros com bastante figuras e poucas frases), no princípio leia com a criança e diga por exemplo: o que ele disse para a princesa? E o que você responderia? Será que ela gostou? Você gostaria?

Vá conversando com a criança sobre a leitura e induzindo-a a pensar sobre o que está lendo, analisar o sentido do que lê. Quando terminar o livro (que pode ser lido um pouco a cada dia, 15 minutos antes de dormir é o suficiente no início), sempre perguntando à criança “onde foi que paramos ontem?” para que ela force a memória para lembrar o que viu no dia anterior.

Quando o livro terminar, pergunte à criança de que parte ela mais gostou, se for um livro de bruxas, pergunte se sentiu medo, se ficou com dó do Fulano quando aconteceu algo ruim com ele. Ajude a criança a interpretar e interiorizar sua leitura, ao mesmo tempo em que aprende a exteriorizar sua visão a respeito do que leu.

Quem tem filhos com dois ou três anos já pode começar a fazer isso, e pode ter certeza de que se esse hábito for cultivado desde cedo, em breve seu filho já estará lendo sozinho, contando as histórias que leu (sempre ouça com atenção, faça perguntas e comente) e logo estará devorando dezenas de livros por ano.

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Leia também: Interpretação de textos passo a passo

Para tudo que a gente vai fazer nesse mundo, sempre há um modo fácil e um modo difícil. Se já fez uma prova sabendo a matéria e não teve um bom resultado, das duas uma: ou não estava num bom dia e não leu direito ou então escolheu o modo difícil.

Quando se prepara uma prova de inglês, muitas vezes ela é dividida em partes: gramática, interpretação de textos, vocabulário, etc. Para cada parte existe uma determinada técnica que dá melhor resultado e venho ensinando essas técnicas aos meus alunos, conseguindo alguns resultados surpreendentes. Ao resolver uma questão, em primeiro lugar você deve ter em mente o que essa questão quer que você mostra, qual o conhecimento específico que você tem que ter para respondê-la.

Digamos que na sua prova exista uma questão como a que se segue:

Assinale a alternativa que melhor complete a frase:

______________ any milk in the fridge.

a) there is

b) there are

c) there isn’t

d) there aren’t

Está claro que a questão destina-se a saber se você aprendeu ou não there is / there are. Se você sabe, resolva. Se não sabe, faça um sinal ao lado da questão e pule. Isso mesmo, pule! Um erro na hora da prova é perder tempo tentando “adivinhar” respostas de perguntas sobre as quais não se sabe nada. Será pura perda de tempo, ou você sabe ou não sabe. Se não sabe, não vai ser agora na hora da prova que vai aprender. E não adianta esperar que desça um anjo do céu com a resposta escrita na testa, ou que um espírito do além incorpore em você e você marque a resposta certa por um processo de psicografia. E nem você vai conseguir hipnotizar a prova olhando fixamente para a questão, para que ela confesse a resposta certa. Parece engraçado, mas o que os alunos esperam quando ficam olhando fixamente para uma questão que não sabem?

Bem, se você sabe sobre there is / there are, vamos por partes, como bem já dizia Jack, o Estripador:

Sabemos (eu sei e você também deve saber) que usamos there are para plural e there is para singular. Para saber se deverá ser plural ou singular, basta saber se o que vem depois da lacuna está no plural ou singular. Milk está no singular, então com seu lápis já risque discretamente as alternativas b) e d) que se referem a plural. Temos então there is e there isn’t. Vamos então às pistas (sempre há pistas). Se você estudou there is / there are, estudou também some e any. Na frase temos any, que se usa na negativa e interrogativa. Não é uma pergunta, então é uma negativa. Eliminamos a afirmativa, alternativa a). Vemos então que sobrou só a alternativa c), que é a correta.

Como viram, não foi necessário nem ler a frase, olhando as alternativas e a palavra que vinha logo após a lacuna descobrimos a resposta correta. Como é uma prova de gramática, nesse caso específico não nos interessa a tradução da frase, que nem precisamos ler. Assim poupamos um tempo precioso e muito stress, e obtemos um resultado melhor.

Volto outro dia com mais “dicas” sobre provas de inglês.

Leia também: Obtenha um rendimento melhor em testes de múltipla escolha

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